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Um sopro

Na macia noite,
procuro um poema,
para dizer o inaudível,
Ou o ainda não dito.

Mas os poemas fogem,
ou não existem,
talvez nem mesmo caibam,
ou persigam,
pontos de fuga, sistemas,
calafrios.

Então me debruço inconteste,
naquilo que consigo fazer,
contaminar, exercer, dominar:
dizer ao poema,
que diga,

que voe, que vague, que explore,
que vá
até ela,
e advogue,
em favor de mim, ou do que seja;

e do que em mim fala,
como um navio,
como um espanto,
como um respaldo,

de tudo que em mim é deriva,
e desejo,
e desastre,

que ele diga tudo.
E que eu enfim me cale.

Comentários

lucia lou disse…
q.lindo!!!!!!!!!!!!
bjinho
lu.
Anônimo disse…
É lindo d+ rebecca!
Anônimo disse…
Adoro este idioma, estou pensando en fazer outros cursos pra seguir aprendiendo :)
Gosto muito de poder mantener contacto com uma pessoa com a que se pode falar em portugués :)
sou natu
un beijinho
Unknown disse…
Loulou, Érika, obrigada! Lindas são vocês!

E Natu,
Vc pode treinar o português comigo, se quiser... manda um e-mail (rebeccapontopedrosoarrobagmailpontocom), assim podemos falar mais. posso te dar umas dicas também de livros bacanas. Beijo grande!
Ale Peixoto disse…
Todo mundo devia ter um poema desse, que fale, pra gente não precisar falar algumas coisas que simplesmente não se diz.
Elisa disse…
você é linda, rebecca.

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