21.9.08

Sem meio termo

Foto de Olinwena

Tornar imprevisível a palavra não será uma aprendizagem de liberdade?
Gaston Bachelard


É por isso que tomo a palavra manhã, e faço dela um sopro de matizes audazes e matreiros. Deliciosos.

É por isso que estendo a palavra ímã, e me afogo nela como num ventre gelado e fútil, como num sonho, como num cedro. Como num vértice.

É por isso que pretendo que essa cor, a teerã, é tão ou menos feroz do que a do descompasso, do que a da lágrima vencida. Da sinapse venturosa. Do vício.

É portanto essa quimera, a verborrágica, que não se finda, nem se vulga, nem se cala. Nem bem nervosa, nem sempre estropiada. Ou fílmica. Nem quando estou triste ou puta da vida. Nem quando estou sem medo. Quase findo.

É meio estrábica, meio barroca, meio silábica, meio travessa. Meio um pouco disso tudo. Coitada.

Química de venenos e verdugos. Desconexa.

Chave de cadeia, mel de reminiscências, mistura insalubre e selvagem. Doses, poliedros, semáforos, desocupâncias. Degenerescências e candelabros.

Exércitos amarelos. Doses homeopáticas de um verbo esquivo e vibrátil..
Como tudo o que não faz sentido,
e é muito mais bonito...

5 comentários:

Vany disse...

Oi...
Adoro ler seus textos. Sempre venho aqui e silenciosamente leio tudo com um um delicioso prazer. Coloquei um link teu no meu blog e agora meus amigos tbm saberão que gosto de ler vc.
Bjs
http://vem-prosear.blogspot.com

esdras/AURÉLIO disse...

rs. meu comentário se metamorfoseia no comentário da "vany".dejavú. já que eu sempre venho. visito. saboreio seus textos. suas palavras me atravessam. e apesar de idiossincrásico, é quase que verbal o que eu sinto. mas enfim, deixo pra sua subjetividade. de qualquer forma, deixo um bjo pra ti.

Denise disse...

Oi, Beckynha, esse seu último post foi de prender a respiração de tão maravilhoso! Parece que ele pulsa na sua página, como uma artéria aberta. Continue visceral e se superando a cada postagem, eu amo a falta de hipocrisia de escrever poesia sem versos arranjados... Bjs!

Anônimo disse...

aprecio poeticamente a palavra "estropiada"

bjos
Clau

Rebecca P. disse...

Vany e Esdras/Aurélio, que bom que vcs resolveram "aparecer". Uma das melhores coisas do blog são os encontros que se fazem nesse espaço de comentários... E Vany, dps vou lá te visitar tb.

Denise, não sei se foi muito visceral, não, acho que esse último foi mais "cerebral" mesmo, verbal, como diz o Esdras, meio cenográfico, talvez... Se bem que minha relação com as palavras é tão ambígua que as coisas acabaram se misturando... como normalmente acontece, aliás... bom, não faz muito sentido mesmo, o sentido quem dá são vocês... : )

E Clau, tb gosto muito dessa palavra. Ela é forte e engraçada ao mesmo tempo, quase um chiste, meio irônico, meio sério, não acha?