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Mostrando postagens de Novembro, 2008

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Foto de Guy Sargent
Sobre o meu colo repousa
quase pluma
sua presença-presente

E a lembrança desse ardor
já quase antigo

desfia
desnuda
desperta

temas que nem têm nome
ou forma

Mas andam comigo
suspensos

Em franca vizinhança

pois é

Otávio dizia assim: eu fui até o fim por você!

Ao que Sofia retrucava: então, meu bem, e daí? Você nem morreu nada, morreu?

Ela não era muito romântica, e era bom que fosse assim.

Otávio, afinal de contas, era só um moço comum que queria sofrer um pouco.

Mas o fim era muito longe. E Sofia tinha uns seios lindos.

Era melhor que fosse assim.

Mais simples.

.

Mas depois de murchos os seios.

E acabado o amor.

Ele teve que admitir.

Que era um moço comum.

Sem final trágico.

Ou enredo exuberante.

.

Mesmo assim.

Não era nada simples.

De repente

De repente, era a alegria que voltava, De mansinho, de tardinha, como um sopro de vento depois de escaldante calor, como beijo de amigo depois de briga, como sorvete depois do trabalho, como saúde voltando, vida, expectativa, densidade, começo de noite na praia, banho de cachoeira, patinação no gelo, bicicleta na descida, jabuticaba no pé, passarinho voando bem alto, no esplêndido violáceo do céu, de repente era assim, como livro bom e rede, como parede caiadinha de branco, móveis antigos de madeira, música de chico, casa de oscar, pandeiro e violão, calças listradas, vestidos azuis, boinas de lã, suspensórios, candelabros, cinema, praça, algodão doce, vitrola, janela com paisagem, céu de brigadeiro, vertigens, era assim, de repente, como tudo o que é mais gostoso e suave, como um beijo roubado, como algo que se declara, que de repente se diz, suspense solto no espaço da luminosa alegria.