Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Janeiro, 2009

À maneira de Ulrica

Para Silk... Sobre ela, pouco se podia dizer.

Dizia-se de sua pele comovente, expansiva em forças. Explosiva ternura.

Dizia-se de sua beleza. De seus girassóis. Leveza vibrátil e ardente, tocada pelo fogo, marcada por seu inexaurível mistério.

Dizia-se de sua febril intensidade. Seus olhos. Ardorosa meditação sobre a alegria. Dizia-se de sua vibração aquática, humores e fluidos em infatigável doçura.

Dizia-se de sua proximidade com os ventos. De sua liberdade cantante de moça do ar.

Dizia-se de sua densidade terrestre. Da disposição para o encanto. Das exigências do corpo. Das pernas.

Falava-se, sempre e sempre, acerca da conformação sutil de seus quatro elementos. Caleidoscópicos. Sutis neblinares de tímida e rutilante orquestração.
Dizia-se que era criança e mulher. E que podia ser encantadoramente nossa em certas noites de lua cheia. Ou quando do encontro de certos tipos de amuletos. E de suspensórios.
E mais não se podia dizer.
Porque seria sempre muito pouco. Para saber mais sobre Ulrica..…

De águas e vôos

Chove muito. Há muitos dias.

E em quase todos eles, você esteve longe.

Não posso te explicar quanto senti sua falta. Todos esses dias. Torrentes de água escoando, o muro liquefeito das esquinas, árvores ensopadas, pássaros escondidos, meus cabelos escorrendo, se desmanchando, o mundo inteiro se dissolvendo, os carros boiando sôfregos na tempestade, a noite submersa em rios, úmidas vertentes.

Chove muito. Há muitos dias. E em quase todos eles, você esteve muito perto.

Não posso explicar sua presença em mim, dissonante. Algo de água. Sempre fugindo. Dissolvida. Em todas as esquinas. Encharcando os sapatos, abrindo as sombrinhas, refrescando os beirais e amolecendo os telhados. Sua presença. Em mim. Na chuva. Liquefeita, esboroante, fúlgida. Tímida. O mundo inteiro encolhendo. Só sua ausência existindo. Meu coração boiando sôfrego na tempestade, contra o céu da meia-noite, te encontrando. A noite submersa em sangue, meu corpo todo pulsando, úmidas vertentes.

Agora continua chovendo. Mas você …