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Mostrando postagens de Setembro, 2007

Cotidiano

Seu sorriso, tímido presente,
memória de tardes febris.
Filme novo,
bilhetes guardados,
taças de sede e reverberações.
Seus olhos, franco sorriso,
memória de noites sem fim.
Uma dentro da outra,
todas acesas,
luzes, notas, telas, violões.
Sua boca, doce violência,
memória de dias assim.
Pele e vidro, sol e areia, texto, carne, iluminações.

Para minha mãe.

Onze anos e um mês. Talvez doze anos. Sim, foi quando sua voz começou a se despedir do mundo. E também você. Teus olhos foram os últimos a ir. Para onde? Para onde.

Onze, doze anos. Enquanto isso, fui ficando mais forte. Vês, já não sou a mesma, pareço-me cada vez mais contigo. Sim, mãe, tenho ficado um pouco mais firme, mas não mais triste. Fico, na verdade, cada vez mais alegre, mais nitidamente alegre, de uma alegria fina e suave, feita de muitos e tímidos devaneios. É claro que eu gostaria que você estivesse por aqui, vendo tudo isso, reclamando de tudo isso, talvez mesmo duvidando de tudo isso. Mas você não está. Então, vou vivendo assim, meio enviesada, meio trôpega, meio sem armas, mas sempre feliz, porque sei que é isso o que você gostaria que eu fizesse. Ficasse feliz. Então eu fico.

Fico feliz quando, todos os dias, passo pela mesma árvore. Intensa e magnífica, recortando o céu, tornando mais leve e dócil o ar, engrossando a terra cansada da praça. A árvore. Ela me lembra voc…