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Mostrando postagens de Fevereiro, 2008

Aí tem coisa.

Tem coisa que eu não sei.
Tem coisa que eu nem des-confio.
Tem coisa que eu só sei de ouvir dizer.
Tem coisa que eu não quero nem saber.

As coisas agitam o mundo.

Tem coisa que eu não vi.
Tem coisa que eu nem des-pedi.
Tem coisa que eu só sei de ouvir falar.
Tem coisa que eu não quero imaginar.

As coisas habitam o mundo.

Tem coisa que eu não fui.
Tem coisa que eu nem des-menti.
Tem coisa que eu só sei porque vivi.
Tem coisa que eu não quero repetir.

As coisas espantam o mundo.


(Para Gil... nosso ministro da poesia)

A fada e a ponte.

Eu me transformo. Eu me transformo. Há muitos anos que não existo. Mas isso não chega a ser um problema. É um problema pra você? Espero que não.

Ainda agora cheguei da missa. Rezei muito e orei pelos que me afligiram. Como Jesus. Como Jesus. Deixei por lá meu sangue, meu corpo, minhas roupas vulgares, minha mensagem de fé. Mas não, não tenho fé. Só desprezo e perdão. Eles não sabem o que fazem, mas eu os desprezo mesmo assim. Tenho marcas, tenho lanças, tenho sede, tenho chagas. Como Jesus. Mas eu me transformo e agüento. Dura, firme, espessa. Apenas a cabeça pendente. As mãos amarradas na ponte. As pernas ostensivamente abertas. Como um Deus de saias. Como um deus que fosse só medo e horror. Isso é um problema pra você? Espero que não.

Cristo é bonito. Só ele me olha direito. Sem desejo, sem poder. Eu me transformo aos poucos nessa doçura que espanta, nesse ingênuo esboço de homem. Cristo nunca foi homem completo, isso só eu é que sei. Se fosse, andava por aí desprezando os outros, pis…

Cotidiano amor.

Deixo de presente para vocês esse delicado presente de uma amiga: AutoLiniers... Deliciem-se.