2.11.07

2 de novembro

Naquela primavera insidiosa e exuberante, onde as flores explodiam pelo calor enervado e vagamente úmido da tarde, ávida de chuva e raios, naquela primavera de febre e sono, onde a luz do sol nas janelas esmorecia de torpor os móveis todos da casa, em um daqueles dias sedentos e amolecidos, onde tudo flutuava devagar ao redor de sua pele delicada de moça, naquela tarde, enfim, paradamente vibrante, ela finalmente cedeu.
O sexo foi lento e suado, como pedia o escaldante do dia, e durou muito pouco, dado o esgotamento dos ânimos, mas ficou-lhe gravado para sempre na memória.
Não porque tivesse sido o primeiro. Não pelo seu insuflado e latejante cenário. Não porque o moço, funcionário recém-contratado dos correios, tivera a idéia de buscar gelos na cozinha e refrescá-la com suavidade de apaixonado. Não por tudo isso.
Mas porque era dia dos mortos.
E nesse dia não se faz essas coisas.

2 comentários:

Daniel Toledo disse...

ah mas eu gostei demais! super me identifico com os raciocínios simples que brotam no meio da poesia toda.

Pobres&Nojentas disse...

Amiga blogueira, obrigada pela dica do conto do Machado de Assis sobre os braços! E amei esse conto "suado"...
Abração!
Míriam