19.3.11

Falando nisso...

O que eu tenho a dizer é da máxima importância. Mas não sei como dizer, ou como começar. Só tenho uma dúvida, entre muitas, e ela me diz o seguinte: por que, entre tantas vidas ritmadas, minha voz se quer fazer ouvir? Por que só eu, entre outros tantos que dizem e falam, se acha no direito de se fazer mais audível, ou mais temível, ou mesmo mais relevante?

O que eu tenho a dizer não tem nenhuma importância. Na verdade, é a importância mesma que se cala quando alguém diz o que é dizível, e o que não é. A importância, com sua gravidade encorpada e luminosa, é atulhada de coisas sem nenhuma ferocidade, sem nenhuma espécie de inutilidade, sem qualquer traço de tímida volúpia. Por isso mesmo se esquiva de importar, e só aos tolos importa, só aos parvos assusta, só aos cegos se impõe. Eu ali vou incluída, evidentemente. Porque sou tola, parva e cega. E só outros que também assim são com isso não concordariam.

Sim, o que tenho a dizer não é importante. Mas nesse mesmo instante existe. E por si só se faz grave. Que me sigam os que, tão cegos quanto eu, entendem essa única importância. A que se faz agora. Nesse instante que já logo mais não voltará. E que é tão desimportante e ritmado quanto muitos. Mas está vivo.

Enquanto outros não estarão.

5 comentários:

Débora Cecília disse...

entendo perfeitamente, por isso silencio...

Susana disse...

Eu te sigo. E viva estou.

Rebecca P. disse...

Por falar em silêncio, débora, olha isso aqui: http://nadaestaacontecendo.blogspot.com/2011/03/medida.html

E Su, ter você aqui comigo é meu modo de alegria!

Anônimo disse...

Oi, meu nome é Marco,moro no Ceará e sou estudante de Letras. Gostei bastante do seu blog e ,particulamente, desse texto sobre o dizer.Parabéns pelo maravilhoso trabalho.Ah!Simplesmente amei um trabalho que você fez sobre Drummond,chama-se: E agora,Carlos? Amparo e desamparo na poética de Drummond. Achei, verdadeiramente, brilhante; principalmente,pelas ligações que você fez com o pensamento de Derrida. Ótimo trabalho.Agora sou seu fã e leitor do seu blog rsrsrs.Abraço.

Rebecca P. disse...

Oi Marco, que bom que gostou do blog e desse texto sobre Drummond! É um dos que mais gosto tb. Vou ver se coloco links para outros textos acadêmicos meus, pode ser uma boa ideia.

Volte sempre, viu?!