21.3.11

Passagem das horas...

Então, esse dia, vulgar e já falecido, que provavelmente desaparecerá no mugir inconstante dos outros todos, a menos que, deus-me-livre, seja o último, ou o anterior a algo imenso ou terrível que sempre pode acontecer amanhã, a menos que, portanto, seja o crepúsculo de uma era, ou o arauto dos novos tempos, esse dia, opaco e tímido, nunca terá existido, nunca terá feito diferença, nunca terá salvado o mundo ou nascido para brilhar. Esse dia, como nós mesmos todos, um dia, nada mais terá sido. Além dele próprio.

Por isso, o deixo aqui. De castigo. Cumprindo pena de semi-eternidade.





Um comentário:

olharsaturno disse...

Lindo! Lindo!!
Mas olha, não o deixe aprisionado, não. Justo por não ter sido nada além dele próprio, por não ter feito a menor diferença, justo por isso ele é o significado mais perfeito da liberdade...