22.9.10

De novo...

Fratura é coisa sem termo.

E não é não.


Depois do corte, o espanto.

A dor, o ponto, o gelo.

A sutura imperfeita. O alarido das coisas que não cessam.

Que não se rendem.


Depois, depois. A coisa cicatriza.

Mas fica na pele feito coisa que termina.

E de vez em quando se agita e geme e ferve.

E toma conta.


Como aquele sorriso perdido entre balbúrdias.

Como um afago incompleto. Resto de um silêncio sem partida,

sem contornos.


Ao depois passa.

Mas de vez em quando volta.

A queda, o grito, o sonho.


Volta como quem perde uma amiga.

Surdo e exposto.

À deriva.

10 comentários:

marcelo disse...

a q lindo...
rebecca sempre no ponto,
precisa.

marcelo disse...

marcelo é a lube

Val Prochnow disse...

Rebequinha, vc deve imaginar o quanto esse poema me pegou de jeito! E como sempre acontece com teus textos, me pegou na medida certa!
saudades!
beijos grandes
Val

Rebecca P. disse...

Lu bê e Val, fico feliz que gostaram! Esse texto já teve uns 3 formatos, mas acabou assim... bom, talvez seja melhor dizer que agora ele começa, né?
: D

Mi disse...

muito bom! parabéns!

GÖTZ Joias e objetos disse...

Você toca fundo amiga!!!Amo o que escreve!

Rebecca P. disse...

Obrigada, Cris! (e eu amo vc!)

Obrigada, Mi!

Glauber Pereira Quintão disse...

que coisa horrível!
que síntese perfeita nas duas primeiras frases: e não é não: uma frase ciclo, uma frase cujo início é o fim. não é não: a realidade da própria fratura: a fatalidade exposta nessa frase minúscula, talvez como a ferida de um prego: um ponto só, mas profunda, profundo: a Resposta ecoante: o que fechou em forma de cicatriz, um túmulo: encerra um morto, mas o próprio túmulo, está vivo.


beijo, Rebeccinha, Glauber.

Rebecca P. disse...

"O próprio túmulo está vivo"... ADOREI!

Junior Oliveira disse...

bom blog excelente! felicidades