2.10.07

Pesadelo

Sonhei que era você e que seguia o seu piso e que perdia o seu rastro e que comia o seu cheiro e que tomava o seu peso e que lambia seu sono e que teimava no escuro a danação do seu tema e que vertia na pele a provação do seu dia e que colava no rosto a proteção do seu medo e que bramia no tempo a expressão do seu time e que fugia de tudo para olhar o seu sono e que calava na carne a felação de anteontem e que seguia sofrendo a esperança da fome e que seguia vivendo a atenção do silêncio e que sonhando se teme o carisma da sede e que você não se vende nem à custa do nome.
Sonhei que era você e que falava depressa e que andava perfeito e que deitava de frente e que passava apertado e que peidava no escuro e que odiava a tangente e que queimava o cigarro e que nadava a corrente do sistema enfrentado e que perdia o cinema e que passava de lado e que corria pra frente no espaço apertado e que sofria ao seu lado a memória da gente e que deitava na cama e comia o seu cheiro e que tomava o seu peso e que escondia no casco a sensação do poema e do passado passado sem vício nem pressa nem vestido engomado nem palavra escondida nem sapato apertado nem o fim da carência do menino enforcado.
Sonhei que era você. E que sofria por mim.

4 comentários:

crys disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ferds disse...

ai, que legal!! adorei o jeito de descrever td. adoros seus textos, né? hehe! bjsss

crys disse...

Pesadelo não é bom,mas quando ele vem das suas palavras se torna surpreendente.Sim...vc é d+ amiga. Muitos bjos
PARABENS
Michelle Silva

Anônimo disse...

Passei por aqui em um dos raríssimos momentos em que os dois estão dormindo. Dessa vez desisti de seguir cronologicamente e parei aqui. Gostei muito deste. Ritmo, antes de tudo, isso que ainda nos faz lembrar que somos tempo.
Saudades.
Rebol