1.3.10

Nem assim tão noite

Foto: Yosigo

Como começou esse poema? Ele começou em uma noite de insônia. Terminou agora. Terminou a medo. Porque é preciso ter medo para sobreviver. Começou com o medo e terminou depois. Depois do medo é o sonho. De não ter mais medo. Mas aí, nada. O nada também vem depois do medo.

Tudo são palavras e é preciso nascer muito para entender. Que é tudo vazio e de noite, mas de vez em quando se canta. Seja porque o instante existe, seja porque se tem medo e é agora.

Eu canto a noite, de noite, no escuro. É bem tedioso, mas funciona. Eu canto a noite e suas dádivas porque tenho insônia e medo e escuros. Se tivesse outras coisas, outras coisas faria, mas isso é só o que tenho.

Contentem-se.

É pouco. Mas é quase azul.


6 comentários:

Renata disse...

eu canto
e o meu canto
é novo
porque sou
re- nata.

belo texto, belo blog.

Rebecca P. disse...

Re-nata, seja bem vinda! Qual é o seu blog?

Renata disse...

oi, Rebecca, obrigada.

Meu blog é o milgaivotasverdes
do blogspot.

meu perfil tava bloqueado na época, agora não mais, é só cliclar;)

Vou adorar ter vc por lá!

Beijos

Narradora disse...

Ainda bem, que apesar do medo (ou talvez por causa dele mesmo), de vez em quando se canta.
Quanto a mim, fiquei encantada.

Rebecca P. disse...

Obrigada, narradora!
Volte sempre!
Ando meio sem inspiração, mas seu carinho me convenceu a continuar a tentar...

E Renata, vou lá no seu blog assim que der aqui... estou numa correria pra entrega de projeto, mas vou lá em breve te visitar, sim?! Bjo!

Luti Cândia disse...

Decerto é Liberdade Azul, rs (a trilogia francesa), com Juliette Binoche. Adorei seu blog