9.11.12

Ethyl horoskop


Os nascidos no signo da CERVEJA são divertidos, alegres e leves, amigos pra todas as horas. São mais afáveis no verão, quando se espalham por todos os lugares, e podem ser vistos na companhia de toda a gente: ricos, pobres, remediados, caretas, alternativos, masculinos, femininos ou mesclados. Os do signo da cerveja se dão bem com todos, e a todos acompanham com delícia, a noite e o dia todo, se preciso for. A princípio podem parecer amargos, mas só quando não se os conhece bem. Logo se mostram em toda a sua espumante euforia. Adoram samba e futebol, e brilham em copas do mundo, carnavais, e outras festas tais... Em resumo, são muito festeiros, mas há quem diga que são superficiais e sem compromisso. Brigam muito com os do signo do uísque e do vinho, mas se dão muito bem com os do signo da aguardente. Sua cor é o dourado, e seu dia da semana é sexta-feira.


Os nascidos no signo do COQUETEL são multifacetados, descolados e mega articulados. Combinam-se de forma inusitada e vivem inventado moda. São olhados com certa desconfiança pelos outros signos, porque têm em si um pouco de todos, e misturam com segurança os mais variados temperamentos, cores e velocidades. Inflamados ou flambados, gelados ou chacoalhados, vermutados ou coloridos, são sempre recebidos com surpresa e admiração, mesmo pelos mais tradicionais, porque cuidam da aparência como ninguém, e sua chegada é sempre uma sensação. Sua beleza, mesmo quando invejada, não deixa de ser apreciada por todos, o que pode lhes conferir um certo ar de frívola majestade, ou entediado dandismo. São lindos, sim, e daí? Às vezes ficam famosos, quase clássicos, e chegam a representar um país inteiro, ou a cidade mais cosmopolita do mundo, mas sua fama de inventivos permanece intocada – afinal, eles não envelhecem nunca. São saborosamente eternos, e sabem disso. Sua riqueza está na criatividade, e são tanto melhores quanto mais malucos nos parecem. Fugazes e mirabolantes, suas cores são o furta-cor e o fúcsia, e seu dia da semana é a quarta-feira.


Os nascidos no signo do VINHO são refinados, sutis e bastante envolventes. Têm múltiplas colorações, densidades e intensidades, por isso se diz deles que são misteriosos: cada um é bastante diferente dos outros todos, e nos conquista de um modo inteiramente seu. Eles amam as noites, frias ou quentes, e mudam de cor de acordo com o ambiente e a situação – festiva, melancólica, poética ou romântica. Deixam no ar um perfume único quando passam, são inesquecíveis, mas podem provocar tempestades quando tratados com superficialidade. Eles exigem respeito, e não se dão com qualquer um, apenas com aqueles que (de acordo com seu juízo), podem entender sua complexidade, seus devaneios frutados ou aromáticos, seus caprichos. Adoram velas e ambientes à meia luz, e sabem ser profundos sem perder a simpatia. Às vezes ficam chatos, ou arrogantes, mas talvez isso seja provocação dos do signo da cerveja, ou do uísque. Podem ser temperamentais ou suaves, delicados ou fortes, tudo depende da ocasião, ou de sua constituição específica. Em suma, são mirabolantes, e fazem o mundo mais vertiginoso. Suas cores são o rubro, o branco e o rosa, e seu dia da semana é quinta-feira.


Os nascidos no signo do UÍSQUE são densos, intensos, apaixonantes. Sua força às vezes é brutal, às vezes é suave, mas sempre conquista os que têm coragem de se aproximar dela. Sua beleza tem um matiz antigo, e quase melancólico, mas não deixa de ter a dignidade dos velhos esconderijos, e dos ainda mais velhos (e saborosos) mistérios. Eles são muitas vezes acusados de tradicionais, ou de arcaicos, e não há quem não os associe aos estranhos vapores da rigidez. No entanto, os que com eles se misturam aprendem a conhecer a tessitura delicada do próprio tempo, moinho de transformações tão sutis quanto inventadas. Ao lado desses taciturnos e às vezes sombrios elementos, nos vemos tomados de uma leveza estranha, quase inóspita, e entendemos que nenhuma solidez é compacta, que nenhuma duração é permanente. Seus vapores ferruginosos nos transportam para o lagos mais distantes do planeta, onde a neblina e a chuva nos lembram, permanentemente, como somos feitos de solitária espera, e violenta expectativa. Suas cores são o marrom e o cobre, e seu dia da semana é a terça-feira.


Os nascidos no signo da AGUARDENTE são incansáveis, apaixonados, ardorosos, febris. Por reunirem em si a fluidez dos líquidos e a violência do fogo, não se cansam de fazer loucuras, ainda que paguem por elas o alto preço da incompreensão e do desprezo. Inflamam-se com facilidade, e podem ser explosivos se tratados com superficialidade. No entanto, sabem ser doces quando querem, e sua carícia mais leve traz esperança e calor a todos os que deles se aproximam, sejam eles poderosos ou desesperados, famosos ou aflitos. Os nascidos nesse signo não conhecem diferenças, nem sociais, nem culturais, e são bem quistos e amados até no extremo oriente, onde são conhecidos com o singelo nome de SAQUÊ. São amistosos, divertidos e facilmente encontrados em toda a parte, construindo entre os que os amam alianças profundas, ainda que efêmeras. É o vínculo da paixão o que entre eles vibra – luminar e incandescente, propício à volúpia e ao arrebatamento. Não conhecem fronteiras, e por isso são tão fortes. Poder algum resiste a seus encantos. Suas cores são o verde e o amarelo cristalinos, e seu dia da semana são todos.


Os nascidos no signo da VODKA são instáveis e excêntricos, ainda que transparentes em sua eloquência. Hábeis como nenhum outro em transformar as situações mais comuns e ordinárias em extraordinárias, eles são conhecidos como o signo dos extremos, e por isso mesmo são encantadores. Eles podem enfrentar por você as situações mais calamitosas, de nevascas da velha Rússia a tempestades tropicais, sem perder a ternura ou o rebolado, mas são incapazes de mentir, e suas decisões peremptórias podem ser uma experiência das mais extenuantes. Quando se dispõem ao combate, ou à fúria, são inigualáveis, e rompem qualquer barreira. São entusiasmados, devastadores, incandescentes. Cristalinos quando amam e quando odeiam, podem atrair o desespero ou o desejo, com igual intensidade. Sua melancolia é também hipertrofiada, podendo levá-los a desenvolver, ao longo dos anos, uma sanguínea atração pelo subsolo, por ruelas estreitas e fétidas, onde só os mais infelizes dos homens podem conhecer o valor da miséria, as idiossincrasias do inconsciente e as saturações do vício. Suas cores são o branco e o prata, e seus dias da semana são a segunda-feira e o domingo.



Um comentário:

Neudo Souza disse...

Admirador nato q sou dos etílicos...viajei por essas linhas todas, até vislumbrar ao longe, um pouco do q vai no escuro de minha'alma.