1.11.10

Poema número 31 (ou 13)

Eu falo de um dia como muitos dias.

Esquina, almoço, vitrines, mendigos.

Eu falo de um dia como tantos outros.

Chuva, mormaço, atrasos, relógios.


Eu falo de um dia em que a porta se abre,

E lá fora vemos suspensas surpresas.

Os jornais dizem: as coisas mudaram!

E esse dia não é mais como os outros.


Mas o mundo não muda

muito. Ou tanto.

Tudo continua a crescer, com bastante força.

O ódio, a fome, a dor, os impropérios.


A esperança também cresce, essa senhora daninha,

Estranha esperança que não morre nunca.


Ela cresce e me comove,

como se o mundo fosse outro,

E o dia de hoje não fosse como tantos.


Ela cresce e me comove,

como se o dia fosse inteiro.

E o mundo de hoje não fosse quase

o mesmo.


Ela cresce e me comove,

como se o amor fosse novo.

E o desejo de hoje não fosse

desde sempre.

6 comentários:

Glauber Pereira Quintão disse...

Rebecca, como ontem, linda, o poema de hoje, o poema nosso de cada dia, dia após dia, parecendo brilhar, mas é lustra móveis - e não é bom? adoraria te encontrar, estarei em BH na semana que vem. que tal?

Glauber Pereira Quintão disse...

Brás, legal

Rebecca P. disse...

Glauber, vamos nos encontrar sim, com certeza! Vc tem meu número, não tem? É só ligar. Se não tiver, me manda um email que eu te passo direitinho. Beijos!

paradigmas universal disse...

é verdade é umas ou outras rs

M.L disse...

Adorei, me fez lembrar de tudo o que ando passado, " E lá fora vemos suspensar surpresas...".

Adorei seu blog e vou seguir.

Dê uma passadinha no meu também, é novo mas interessante.

Um beijo grande

Anônimo disse...

Adorei este Krinho...