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Números nem tão imaginários...

Eu tenho 141 cm. Conquistados com esforço, sim senhor. Para alguns, não é exatamente fácil crescer.
Já fiz 2 cirurgias, 4.327 miojos, 3 lasanhas, 567 pizzas, 2 monografias, 1 dissertação, 1 tese, 84 sessões de psicoterapia e muita pirraça.
Tenho 731 livros, 1 prótese cardíaca, 3 projetos novos, 7 primos e 21 plantinhas de estimação.
Já morei em 6 casas diferentes fora de bh e em 9 casas dentro.
Já matei 425 baratas, 1.329 formigas (quase sempre sem querer) e 1 aranha (afogada).
Perdi 2 boas chances de ter começado a ser eu mesma bem mais cedo. Perdi as estribeiras umas 3 vezes. A compostura, 211.
Fui "diretora" de 3 peças de teatro, entre os 10 e os 15 anos. Atuei como "noiva" em 4 festas juninas e como "menina que morre na hora da bomba" em 1 peça de teatro do colégio.
Já tive 14.322 idéias. A maioria não teve utilidade alguma.
Perdi a hora 13 vezes. E sem desculpa.
Ganhei 135.368 beijos, 6 fios de cabelos brancos e 4 quilos "extras" ao longo de 34 anos. E nenhuma rifa.
Descobri que não existem 1.000 maneiras de preparar Neston. Só 22.
Inventei que, a essa altura do campeonato, já podia ter um filho de 19 anos, 2 academias de ginástica e 1 ex-marido. Ou 1 carreira na Broadway, 3 filhos jamaicanos adotados e 2 abortos. Ou 1 carro esporte e 1 casa na praia. Ou 4 livros de poemas pagos pelo marido rico. Ou 9 cistos nos ovários. Ou 2 namoradas. Ou 1.436 partos no currículo. Ou 3 passagens pela polícia por desvio da opinião pública.
E percebi que o melhor número não é o que desafia a imaginação. É o que demite o juízo.
Inspiração para esse post: Números contam histórias...

Comentários

Anônimo disse…
Oi, Rebeca! Li seu texto no blog da Cris (que fiquei conhecendo graças a vc: lembra aquele dia aqui em casa?) e resolvi passar aqui pra dizer que mais uma vez suas palavras encheram meu dia de delicadeza. Como vc escreve lindo, Rebeca! Precisamos nos encontrar pra vc falar da defesa,de cinema,"coisinhas" assim... Um beijo e até qualquer dia,
Carla (a pianista)
Rebecca M. disse…
Oi, Carla!

Claro que me lembro daquele dia... e estou até hj tentando lembrar o blog que o flávio sugeriu... :)

O blog da Cris é lindo mesmo... e tão tocante...

Obrigada pelo carinho!

Vamos nos encontrar MESMO na vida real? Vou ligar pra Mírian e combinamos alguma coisa. Agora tem que ser lá em casa ou lá na casa dela... Não sei cozinhar muito bem, mas o vinho encobrirá minhas insuficiências culinárias!

Bjos!
Susana disse…
Rebs,
com as viagens dos últimos meses, já tinha me esquecido de parar de vez em quando neste porto tão deliciosamente inspirador! Que bom que a tecnologia aproxima mundos e deixa fluir os espíritos.

De acordo! A demissão do juízo é sem sombra de dúvida o caminho mais lucrativo!
Beijo enorme, saudades,
Su
Anônimo disse…
Pois �... tamb�m vim parar aqui pelo Para Francisco, mas antes do texto que a Cris postou que voc� mandou, j� tinha vindo te ver...

Achei que vc fosse uma colega de col�gio, que assina Vivs Rebs... Sei l� porqu� achei que eram a mesma pessoa... algo na foto... da� descobri que n�o.

Gostei do seu jeito de escrever, de como voc� escreve.

beijos, Kika
Anônimo disse…
numeros tb fazem bem para nossa valorizaçao, q de vez em qdo esquecemos q existe.. adorei sua matematica no nosso ponto de encontro virtual. meu dia sempre é melhor qdo te visito!! baci a te e anche a pablia. Roma, um sol belissimo com inicio d primavera bem fria...Solangita
Unknown disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Rebecca M. disse…
Su, Sílvia e Solange!

É tão bom vê-las aqui! Meu dia também fica mais lindo quando vocês vêm me visitar... Direto do Rio, de Bh e de Roma... Esse blog tá muito chique!!!

E Kika, você é muito bem vinda! Obrigada pela visita e pelo carinho!

Bjos!
Aviva disse…
superbe, rebs!!
vou contabilizar alguns números meus tumbém...
beijoooo
ah! tô indo a bh amanhã, no lançamento do cd do Zé da Guiomar, mas volto na quarta de manhã. Marquei uma cerveja e um papo e risadas na Cantina do Lucas com a mineirada. Se estiver disposta, apareça! Só que vai ser tarde... lá pelas 0h...
Beijos, muchacha!!
Anônimo disse…
Amei, Rebs,

vou fazer um também. risos.

Marcelo.
Anônimo disse…
Adorei, Becky!!! Acrescente-se que agora vc tem mais 2 novos fãs, eu e o Alex!!!
Kisses,
Denise.
Anônimo disse…
Maravilhoso!
Duvido que tenham sido somente 03 lasanhas...
Dani Gusmão
Unknown disse…
vem perdeu a hora porquissimas vezes!!!!!!!!!!
Rebecca M. disse…
Marcelo, estou curiosa pra ver sua contabilidade... rsrsrs!

E Denise, nossa família arrasa, não é?! Também adoro vcs!!!

Dani e Mari, não duvidem não, os números foram mais do que inventados... foram esvaziados de realidade... mas acho que foram mesmo 3 lasanhas... : )
Anônimo disse…
Os melhores números são os impares?
um grande abraço
Chris
Anônimo disse…
A parte que mais gostei: "Ou 3 passagens pela polícia por desvio da opinião pública."
martina disse…
ah, que saudades que eu estava dos teus textos!!!
:)
ando numa correria danada. publiquei um desenho velho hj, coisa que eu odeio fazer, só pra não deixar o blog afundar de vez.
bom, espero ter coisinhas novas em breve.
beijos, linda.

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Respondo sempre igual...

É difícil dizer como começam as coisas que nunca começaram, que sempre estiveram lá. Ou aqui, por exemplo. Como aquele modo seu de dizer que gosta de mim, como as roupas secando no varal, como os lugares de cada coisa nas estantes, nas gavetas, nos armários. Há coisas que parecem tão eternas no fim de uma noite de verão quanto um lapso entre um espanto e outro, entre um grito e um plano de viagem. No verão, tudo parece mais estático, até eu mesma, que prossigo entre os cômodos me fingindo de suave, de esplêndida, cantando baixinho ou repetindo que estou viva. Apesar do calor, e das ondas de tédio e asfalto que vêm de fora, estou viva, por enquanto. É difícil dizer como começou isso, ficar viva. Sentir-se dentro e fora das coisas. Sentir-se apenas. Como as colheres no escorredor, como as paredes que escurecem aos poucos, como os livros cruamente organizados e sólidos. É difícil dizer do tempo em um dia tão quente e áspero. É difícil porque sufoca sem sofrimento. É como esperar, apena

Não verás país nenhum

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