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A questão do ano...

Aos poucos vou me transformando em ti, meu ainda desconhecido mistério.

Teremos algum instante juntos? Ou só abrirás os olhos quando eu tiver partido? Quando beijares meus lábios exangues, com a avidez de sede dos recém-nascidos, terei tempo para tocar teu rosto, para sentir tua febre, para cobrir de sonhos tua história?

Serei tua boa semente? Ou teu desencanto? Tua fúria? Ou teu repouso?

Terei mesmo ido embora, ou serás tu que nunca terás chegado? Que coisa é essa que nos separa e mobiliza, um para o outro, sempre?

Essa coisa que não tem nome, que é feita de espasmos e (des)encontros, essa coisa que nos agita e surpreende. Essa coisa, meu amor, que somos nós. Continuadamente.

PS: esse post é um esboço de resposta à (difícil) pergunta feita no blog da Lápis Raro...

Comentários

Anônimo disse…
Foi bonito isso!
tainah disse…
Boa pergunta! E a resposta foi tão bonita!



Bom lembrar do quanto gosto das tuas palavras.

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