Há momentos em que todo falar é pouco. E o silêncio, ficando imenso na boca, Parece vibrar como um pássaro aceso. Há momentos em que todo amor é pouco. E a vontade de amar, ficando imensa no corpo, Pesa suspensa, como uma lápide ausente. Há momentos em que toda devoção é pouca. Porque o ardor e a palavra, esses incógnitos, Escandem, verso a verso, tua figura breve. Mas é assim, devotada, amorosa e muda, que te amo. Já que as palavras não fazem mais leve, nem mais puro, O violento e delicado abismo Que te entrego.