23.6.11

Cordéis avulsos

Vida e literatura são piedosamente imprecisas.

O vazio razoável. Necessário. Para o salto.

Nunca absoluto. Mas evidente.

A literatura encena o que a vida exige.

Às vezes fome. Às vezes, consistência.

Tudo é sobreposição. Avesso. Incontinência.

O rosto exacerbado. Nem grandiloquente nem suntuoso. Apenas colocado.

Visto para ser revisitado.

Do argumento da sede: a redundância é sempre bem vinda.

A forma em seu tempo.

Talvez formalize uma fértil ampliação de fronteiras.

Talvez.




13.6.11

Um dia desses...

Um dia desses eu conto. O que vem acontecendo. O que anda pegando. Como ando e persisto e calo e me mudo. Como mudo. Como emudeço. Como permaneço ou persigo o que não mereço. Conto como me faço e como me esqueço. Um dia desses eu conto. Como reconheço.

Conto também como é grande a fome. E grande o tropeço. Conto se vivi, se sofri, se entrei de férias, se perdi a conta. Se a dividi ou deixei pra lá. Conto e desconto as dívidas. As falências. Conto como me multiplico. Como sangro. Como divago.

Conto como venho falindo, falhando, encantando. Conto como venho perseguindo o que nem sei o tamanho. Conto logo logo. Logo me abro. Logo me afogo.

Um dia desses. Quem sabe. Conto talvez o milagre.

Mas por enquanto. Sei lá. Vou contando a passagem.